Distância
- Adilson Costa
- 25 de fev.
- 1 min de leitura
📖 Trecho do Livro
Naquele momento, a bebê não chorava, apenas dormia, alheia ao vazio que a cercava. A primeira noite de sua vida foi marcada pelo som distante do vento que batia nas janelas, um ruído frágil e constante, acompanhado pelo murmúrio abafado da mãe que jamais a acolheria plenamente.
Emma, por sua vez, mantinha-se imóvel, com os ombros tensos e os olhos vazios. Distância. Essa seria sua primeira marca como mãe. Uma distância que, com o passar do tempo, revelaria sua verdadeira profundidade.
💭 Reflexão
A forma como nos relacionamos não começa na vida adulta. Ela se forma desde os primeiros contatos que temos com o mundo. O que acontece quando esses contatos são marcados por distanciamento e frieza? Quando o afeto esperado não vem, nos resta aprender a sobreviver sem ele. Mas será que essa ausência realmente desaparece ou apenas se transforma?
Muitas vezes, carregamos ausências que não são nossas, mas de quem veio antes de nós. Repetimos padrões sem perceber, oferecendo a outros a mesma distância que um dia nos foi imposta. Outras vezes, tentamos preencher esse vazio em relações que nos fazem mal, buscando em lugares errados o que nunca recebemos.
Já parou para pensar no que recebe e no que oferece em seus relacionamentos? Você se doa ou mantém uma barreira? Quais faltas você percebe desde a sua infância que ainda ecoam hoje? O silêncio que herdamos pode ser rompido, mas para isso, é preciso reconhecê-lo.
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